O MARC 21 e um polígono de N lados

Apenas reflexões…

O MARC 21 é ensinado nos cursos de Biblioteconomia porque os softwares das bibliotecas o utilizam?
Os softwares utilizam o MARC 21 porque as bibliotecas requerem?
As bibliotecas requerem o MARC 21 porque seus bibliotecários aprenderam sobre ele?
Os programas de catalogação cooperativa utilizam o MARC 21 porque ele é utilizado pelas bibliotecas?
O MARC 21 é ensinado porque é utilizado nos programas de catalogação cooperativa?
Os softwares utilizam o MARC 21 porque ele é ensinado nos cursos?

Os cursos continuam ensinando só o MARC 21 porque não vêm o uso de outros formatos?
Os softwares continuam utilizando só o MARC 21 porque os bibliotecários não requerem outros formatos?
Os bibliotecários continuam requerendo só o MARC 21 porque não conhecem outros formatos?
Os bibliotecários continuam conhecendo só o MARC 21 porque não aprenderam sobre outros formatos?
Os programas de catalogação cooperativa continuam utilizando só o MARC 21 porque os bibliotecários não conhecem outros formatos?

E se os cursos ensinassem outros formatos (Metadata Object Description Standard (MODS), Metadata Authority Description Schema (MADS), etc.)?
Os bibliotecários requereriam outros formatos porque aprenderam sobre eles?
Os softwares utilizariam outros formatos porque os bibliotecários requisitaram?
Os programas de catalogação cooperativa utilizariam outros formatos porque os bibliotecários aprenderam sobre eles?

OU

E se os softwares utilizassem outros formatos (MODS, MADS, etc.)?
Os cursos ensinariam outros formatos porque os veriam em uso?
Os bibliotecários conheceriam outros formatos porque aprenderam sobre eles?
Os programas de catalogação cooperativa utilizariam outros formatos porque os bibliotecários aprenderam sobre eles?

OU

E se os bibliotecários buscassem saber sobre outros formatos?

O que o bibliotecário sabe sobre softwares, catalogação cooperativa e MARC 21?
O que o software sabe sobre o catalogador, a catalogação cooperativa e o MARC 21?
O que sabemos sobre os outros formatos? Penso que a mudança deve começar principalmente em dois lados desse polígono de N lados: do lado softwares/sistemas de bibliotecas e do lado das pesquisas e ensino de Catalogação.

Autor: Fabrício Assumpção

Bacharel em Biblioteconomia. Doutorando em Ciência da Informação na UNESP.

7 pensamentos em “O MARC 21 e um polígono de N lados”

  1. Então Fabrício, eu penso o seguinte: usamos o Marc21 porque não conhecemos outro formato e não temos tempo/vontade/disposição/recursos/entre outros para descobrir novos formatos.
    Em primeiro lugar, porque na graduação mal vemos/estudamos o Marc21, e na minha época não tivemos nenhuma aplicação, então a maioria dos formados da minha turma (e anteriores) nunca tiveram contato real com o Marc.
    Esse contato se dá apenas se o bibliotecário ingressa na área técnica da profissão, e aprende na marra como usar o Marc21.
    Depois de aprendido, eu vejo que a maioria cria uma resistência enorme em descobrir coisas novas na área da catalogação, porque a maioria destes bibliotecários não gostam do que fazem e ficam sonhando com o dia que passarão a trabalhar na área de referência… E por não gostar do que fazem, faz apenas o que sabe e basta.
    Por outro lado, nós que gostamos de catalogar, catalogamos tudo o que vem pela frente e quase não nos sobra tempo para estudar D:
    Nos períodos de pico, tenho feito cerca de 25 catalogações por dia, e quando sobra tempo preciso catalogar o material retroativo que não está catalogado corretamente.
    E como essa rotina corrida mal consigo pensar/pesquisar se há outros formatos melhores ou mais interessantes.
    Acho que as mudanças devem ocorrer dos dois lados, do lado profissional e do lado acadêmico.
    O acadêmico pesquisa e nos apresenta coisas novas, e o lado profissional aplica tudo isso. O problema é convencer o profissional a mudar o processo, e explicar para o acadêmico que apenas a teoria não funciona.
    O ideal é termos bibliotecários catalogadores pesquisadores, pois aí eles entenderão o porque do uso de um formato diferente.
    Se apenas pesquisadores demonstrarem a importância de um novo trabalho, a parte prática acaba ficando esquecida e muito da pesquisa se torna inexequível. Se apenas o profissional continuar fazendo o seu serviço, os processos nunca serão otimizados, por isso acho que o ideal seria a junção dos dois.

    1. Isso mesmo Laura!

      Conseguiu dizer o que eu não estava conseguindo: a mudança em apenas um lado não basta.

      Realmente, a falta de tempo é um grande problema, tanto na hora de ensinar (para o professor/pesquisador) quanto na hora de fazer (para o profissional). Assim, tentar ser um profissional e pesquisador ao mesmo tempo parecer ser quase impossível!

      Pessoas fazendo só por fazer são outras pedras no sapato. Sempre estão lá, ocupando espaço, por assim dizer. O interessante (e triste) é que, em alguns casos, aqueles que têm interesse em mudar, aprender, pesquisar, etc. acabam ficando impossibilitados por causa das pedras no sapato =/

      Oh vida! Mas ainda tenho esperanças de um “universo bibliográfico/informacional” melhor! Sempre… =)

    2. Adorei os pensamentos.. Se não fosse pelos pensadores, se quer teríamos chegado até aqui. Temos muito que melhorar sim, por isso, também não podemos desistir! Gostei muito do blog. Parabéns.

  2. Eu concordo plenamente com a necessidade de reflexões e discussões sobre o tema, mas acredito q o MARC21 é usado de uma forma muito simplificada, existem diversos parágrafos muitíssimos úteis q não são utilizados e uma áreas muito pouco exploradas, há sim pontos fracos e adaptações q precisam ser discutidas, mas na minha modesta opinião não há pq reinventar a roda, não vejo motivos pra abandonar o MARC21 e buscar um novo formato, é preciso melhorar e explorar o q já se tem e está consolidado, mais do q mudar o formato de representação é preciso mudar a forma de se representar. Como dizia uma querida professora q tive na graduação, catalogação deve ter forma e não fôrma (tive de usar o acento diferencial mesmo em desuso pra ficar mais clara a sentença).
    Felicita-me saber q ainda há quem se interesse pelo tema, e q continuem as discussões pq assim é q se evolui.
    Abs
    Ana Carolina Momesso

    1. “mais do q mudar o formato de representação é preciso mudar a forma de se representar”
      Exatamente Ana Carolina! Muitos dos problemas que direcionam ao MARC na verdade são problemas das regras e das práticas de catalogação!

      Abraços e obrigado pela visita ao blog!

  3. Caro F. Assumpção,
    Sou professor de história e recebi a missão de catalogar uma pequena biblioteca escolar (5.000 livros aproximadamente, além de CD’s, jornais e revistas). Você teria alguma sugestão para quem, como eu, não tem formação em biblioteconomia? Talvez um aplicativo grátis e mágico…rsrrsrs
    Obrigado pela atenção!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *