Organizadores: o que o RDA diz sobre eles?

Resource Description and Access (RDA)

Em agosto de 2015 realizei uma videoconferência com a Rede de Bibliotecas da UNESP para conversarmos sobre o RDA. Uma das bibliotecárias participantes perguntou-me algo sobre como o RDA trata os pontos de acesso para obras “organizadas”, ou seja, aquelas obras que são coletâneas de obras de diferentes autores, por exemplo, um livro com capítulos escritos por diferentes autores. Resolvi aproveitar a oportunidade para trazer esse assunto aqui para o blog.

Em síntese, o que o RDA diz é:

  • O “ponto de acesso principal” será o título da obra.
  • Inclua “pontos de acesso secundários” para os organizadores, não importa a quantidade.

A seguir, explico meu ponto de vista sobre o modo com que o RDA lida com essa questão.


Atenção! Se continuar a leitura, não me responsabilizo pelos danos mentais (e catalográficos!), permanentes ou não, aos quais você estará sujeito.

Head over heels / Tears For Fears. - 1985


Vou utilizar como exemplo o seguinte “documento”:

The Conceptual Foundations of Descriptive Cataloging

Este documento, melhor dizendo, esta manifestação é a materialização de uma obra. A obra foi criada, expressa e então materializada.

Quando falamos de autores, tradutores, ilustradores, organizadores, compositores e quaisquer outros papéis que estejam relacionados à criação ou à expressão do conteúdo artístico ou intelectual, estamos falando sobre a obra ou sobre a expressão [1]. Assim vamos direto à Seção 2 do RDA, Registros dos atributos de obra e expressão.

Dentro da Seção 2, consultaremos o Capítulo 6, Identificação de obras e expressões. As instruções do capítulo 6 dizem respeito ao registro dos atributos para a identificação da obra e da expressão. Entre esses atributos, temos: título preferido para a obra (RDA 6.2.2), título variante para a obra (RDA 6.2.3), forma da obra (RDA 6.3), data da obra (RDA 6.4) e outra característica distinta da obra (RDA 6.6).

Ao final do Capítulo 6, temos as regras para a construção do ponto de acesso autorizado representando a obra (RDA 6.27.1). O ponto de acesso autorizado (antigamente chamado de “cabeçalho”) para uma obra é criado a partir da junção de informações sobre a obra, tais como o ponto de acesso autorizado representando o criador da obra e o título preferido para a obra.

Nos casos em que é necessário diferenciar obras com o mesmo título ou com títulos semelhantes, podem ser incluídos no ponto de acesso dados sobre a data, a forma, etc. da obra. De modo geral, o ponto de acesso terá a seguinte estrutura:

Ponto de acesso autorizado representando a obra

Alguns exemplos de pontos de acesso autorizados representando obras (retirados do próprio RDA):

  • Cassatt, Mary, 1844–1926. Children playing on the beach
  • Porter, Douglas R. Making smart growth work
  • James, W. Martin. Historical dictionary of Angola
  • Anthologie de la poésie baroque française
  • The best of Broadway

As regras para construção do ponto de acesso autorizado para a obra estão organizadas em:

Regra Aplicação
6.27.1.2 Obras criadas por uma pessoa, família ou entidade coletiva
6.27.1.3 Obras colaborativas
6.27.1.4 Compilações de obras de diferentes pessoas, famílias ou entidades coletivas
6.27.1.5 Adaptações e revisões
6.27.1.6 Comentários, anotações, conteúdo ilustrativo, etc. adicionado a uma obra já existente
6.27.1.7 Diferentes identidades para um responsável por uma obra
6.27.1.8 Obras de origem incerta ou desconhecida

Em nosso exemplo estamos lidando com uma obra resultante da compilação/organização/edição de obras de diferentes autores, então vamos para 6.27.1.4:

Se a obra é uma compilação de obras de diferentes pessoas, famílias ou entidades coletivas, construa o ponto de acesso autorizado representando a obra utilizando o título preferido para a compilação (veja 6.2.2 RDA). (RDA 6.27.1.4, tradução nossa).

Ou seja, o ponto de acesso autorizado para a obra será apenas o seu título preferido.

O título preferido para a obra é o título ou a forma do título escolhida para identificar a obra. (RDA 6.2.2.1, tradução nossa)

Para obras criadas após 1500, escolha como título preferido o título ou forma do título no idioma original pelo qual a obra é comumente identificada, seja por meio do uso nos recursos que materializam a obra ou por fontes de referência. (RDA 6.2.2.4, tradução nossa)

Registre o título coletivo como o título preferido de uma compilação. (RDA 6.2.2.11.1, tradução nossa)

Percebam que o título preferido (que será usado no ponto de acesso autorizado) é um título escolhido e padronizado. Não necessariamente será o título que consta na página de rosto (o título principal – RDA 2.3.2). Até aqui, já conseguimos registrar as seguintes informações sobre nosso exemplo:

Regra Atributo Dados
2.3.2 Título principal The conceptual foundations of descriptive cataloging
6.27.1 Ponto de acesso autorizado representando a obra: criado a partir do Título preferido para a obra (RDA 6.2.2) e sem o artigo inicial (RDA 6.2.1.7) [2] Conceptual foundations of descriptive cataloging

No exemplo utilizado, o título principal e o ponto de acesso são bastante semelhantes. No entanto, podem ocorrer casos em que a semelhança não seja tão grande, por exemplo, em uma tradução.

Em nosso exemplo, se seguirmos o AACR2r, criaremos a entrada principal para o título principal do documento (aquele título que consta na fonte principal de informação) ou para o título uniforme (o que quase ninguém faz) (AACR2r 21.1C1 “b”).

No MARC 21, seguindo a opção mais frequente do AACR2r (entrada principal para o título principal e não para o título uniforme), o título presente no campo 245 será o ponto de acesso principal [3]:

245 0 4 $a The conceptual foundations of descriptive cataloging

Ao colocarmos no MARC 21 as informações que registramos com o RDA teremos o seguinte:

130 0# $a Conceptual foundations of descriptive cataloging
245 14 $a The conceptual foundations of descriptive cataloging

“Humm Deixe-me ver se entendi direito. Então, com o RDA, teremos mais ‘títulos uniformes’?”

A maravilhosa resposta é: sim e não.

Para entendermos isso melhor, vamos olhar o que preenchemos no MARC 21: o título principal presente no campo 245 refere-se à manifestação; o título “uniforme” do campo 130 refere-se à obra.

O RDA está sendo construído sobre a base teórica do FRBR, que trata o “universo bibliográfico” a partir das entidades obra, expressão, manifestação e item. Se desejarmos utilizar o RDA com a intenção de trazer para nossos catálogos essas entidades e traçar os diversos relacionamentos entre elas, precisamos sim de mais “títulos uniformes” (títulos autorizados representando as obras).

Com o AACR2r e as práticas atuais de catalogação, lidamos hoje principalmente com a catalogação de manifestações – e não de obras [4]. Por isso, no registro AACR2r/MARC 21 acima temos apenas a informação sobre a manifestação e não a informação sobre a obra.

O RDA é extremamente flexível – se comparado ao AACR2r. Ele é tão flexível que podemos utilizá-lo tanto para tentarmos praticar os conceitos do FRBR quanto para continuarmos catalogando tendo como nosso foco a manifestação e não a obra.

Com essa flexibilidade temos o “sim” e o “não”:

  • Sim, teremos mais títulos uniformes na medida em que caminharmos em direção ao FRBR;
  • Não, teremos menos títulos uniformes na medida em que caminharmos em direção ao que fazemos hoje com o AACR2r.

“Então cada um vai fazer de um jeito?”

Sim e não. Caberá às bibliotecas (locais, nacionais, regionais, redes, sistemas, etc.) definir em suas políticas de catalogação qual caminho seguirão.

“E o que faremos com os organizadores? Teremos pontos de acesso secundários para eles?”

No RDA não temos o conceito de entrada secundária (ponto de acesso secundário). Mas isso não significa que não incluiremos pontos de acesso para representar as demais pessoas que estão relacionadas ao documento.

Segundo o RDA, os organizadores estão relacionados à expressão, portanto são registrados como contribuidores (RDA 20.2). O registro dos contribuidores ocorre na Seção 6, Registro dos relacionamentos de pessoas, famílias, entidades coletivas associadas ao recurso, capítulo 20, Pessoas, famílias e entidades coletivas associadas à expressão.

Para indicar esse relacionamento, podemos utilizar o ponto de acesso autorizado para representar o contribuidor. Esse ponto de acesso é construído com as regras da Seção 3, Registro dos atributos de pessoa, família e entidade coletiva, que apresenta regras específicas para os pontos de acesso para pessoas, famílias e entidades coletivas:

Regra Atributo
9.19.1 Ponto de acesso autorizado representando uma pessoa
10.11.1 Ponto de acesso autorizado representando uma família
11.13.1 Ponto de acesso autorizado representando uma entidade coletiva

Designadores de relacionamento

Junto do ponto de acesso podemos utilizar um designador de relacionamento: um termo que explicita o relacionamento. Na Seção 6, os designadores de relacionamento explicitam a função ou o papel da pessoa em relação ao recurso, por exemplo, se é o autor, tradutor, ilustrador, organizar, compositor, diretor, pintor, etc.

Os designadores de relacionamento utilizados na Seção 6 estão disponíveis no Apêndice I, Designadores de relacionamento: relacionamentos entre um recurso e as pessoas, famílias e entidades coletivas associadas a ele.

No apêndice I, os designadores estão agrupados por tipos: designadores para os criadores da obra (autor, arquiteto, compositor, coreógrafo, programador, etc.), designadores para os contribuidores (editor, diretor de arte, ilustrador, cantor, tradutor, etc.), designadores para os manufaturadores, etc.

Para o nosso exemplo, temos o designador “editor”, que é utilizado no RDA no sentido de organizador ou compilador e não no sentido de publicador ou editora.

Chegou a hora de finalizarmos a catalogação. Podemos colocar isso tudo no MARC 21 da seguinte forma:

130 0# $a Conceptual foundations of descriptive cataloging
245 14 $a The conceptual foundations of descriptive cataloging
700 1# $a Svenonius, Elaine $e editor

Pronto! Simples assim! 🙂

Quer saber mais sobre o RDA? Dê uma olhada na Bibliografia Brasileira sobre o RDA e na série RDA em 10 posts! Ainda tem dúvidas sobre as entidades do FRBR? Dê uma olha no post O que é FRBR?

Notas

[1] Se o nosso interesse é saber como registrar as informações que constam no documento (por exemplo, na página de rosto de um livro) devemos consultar a Seção 1, Registro dos atributos de manifestação e item, pois, nesse caso, estaremos lidando com a manifestação ou com o item, e não mais com a obra. [Voltar para o texto]

[2] A regra 6.2.1.7 instrui para que os artigos iniciais sejam incluídos, no entanto, oferece como alternativa a omissão deles. [Voltar para o texto]

[3] Podemos dizer que: o primeiro indicador com “0” e a ausência de um campo 1xx indica que o título é o ponto de acesso principal. [Voltar para o texto]

[4] É óbvio que incluímos também informações sobre a obra, mas ela não é o “centro” do registro bibliográfico atual. [Voltar para o texto]

O que é controle de autoridade?

MANLEY, Will. The truth about catalogers. Jefferson: McFarland & Company, 1995. Illustrations by Richard Lee. p. 96.
MANLEY, Will. The truth about catalogers. Jefferson: McFarland & Company, 1995. Illustrations by Richard Lee. p. 96.

Recentemente encontrei um texto sobre controle de autoridade que escrevi no início de 2011, quando estava no último ano da graduação. O texto é parte do meu TCC, que acabou sendo publicado com ebook. Depois de encontrá-lo, fiz uma breve revisão e resolvi postar aqui. Espero que seja útil!

Controle de autoridade e trabalho de autoridade: definições e escopo

Resumo: O controle dos pontos de acesso que representam as entidades do tipo pessoa, família e entidade coletiva é compreendido pela catalogação descritiva e mostra-se necessário aos catálogos. Desta necessidade surgem os conceitos de controle de autoridade e trabalho de autoridade. Tais conceitos são apresentados por meio de uma revisão de literatura, a partir da qual podemos concluir que o controle de autoridade é um estado em que os pontos de acesso utilizados para representar as entidades em um catálogo estão consistentes, e que o trabalho de autoridade é um conjunto de atividades que visa o controle de autoridade.

Introdução

A catalogação descritiva – compreendendo a elaboração e manipulação de descrições bibliográficas e a escolha, o estabelecimento e a atribuição dos pontos de acesso de responsabilidade e de título – tem como um de seus produtos o catálogo, que atua como um canal de comunicação entre o acervo e o usuário (MEY, 1995, p. 9).

Um dos objetivos do catálogo é permitir que todos os recursos informacionais associados a uma determinada entidade do tipo pessoa, família ou entidade coletiva sejam encontrados (STATEMENT…, 2009, p. 3). No entanto, uma entidade pode ser conhecida por mais de um nome (nome de nascimento, nome artístico, nome oficial, etc.) ou mesmo apresentar seu nome de diversas formas nos recursos informacionais aos quais ela está associada. Estes distintos nomes e suas diversas formas são utilizados na catalogação descritiva como base para os pontos de acesso, os quais representam as entidades em um catálogo e atuam na busca e na navegação.

Diante da diversidade de pontos de acesso para uma mesma entidade, um usuário do catálogo que possui conhecimento de apenas um dos nomes da entidade pode não conseguir encontrar todos os recursos informacionais que estão associados à entidade por ele desejada, por exemplo, todos os livros de um determinado autor.

Desse modo, faz-se necessário reunir e manter controle sobre todos os pontos de acesso que representam uma mesma entidade, assegurando que o usuário encontre todos os recursos associados à entidade desejada ao realizar uma busca utilizando um e somente um dos nomes pelos quais tal entidade é conhecida. Dessa necessidade surgem os conceitos de controle de autoridade e de trabalho de autoridade, sobre os quais decorremos nessa breve revisão de literatura.

Controle de autoridade (authority control)

A distinção entre controle de autoridade e trabalho de autoridade pode ser difícil, o que faz com que, muitas vezes, estes termos sejam empregados erroneamente, seja pela definição dada a cada um deles, seja pelo fato de serem tratados como sinônimos.

É de modo breve que Burger (1985, p. 3, tradução nossa) aponta que controle de autoridade e trabalho de autoridade não são a mesma coisa: “o trabalho de autoridade permite o controle de autoridade ocorrer”. Para o autor “o controle de autoridade é alcançado quando os cabeçalhos em um catálogo estão consistentes e quando um mecanismo (o arquivo de autoridade) e políticas de catalogação relacionadas têm sido estabelecidos para assegurar esta consistência” (BURGER, 1985, p. 1, tradução nossa).

Uma das definições de controle de autoridade que mais encontramos na literatura da área de catalogação descritiva é a apresenta por Taylor (1984, p. 2 apud MARAIS, 2004, p. 62, tradução nossa): “controle de autoridade é o processo de manter a consistência nos cabeçalhos em um arquivo bibliográfico por meio de referências a um arquivo de autoridade”, em outras palavras, a utilização dos pontos de acesso autorizados do arquivo de autoridade nos registros bibliográficos presentes no catálogo, com a finalidade de manter a consistência dos pontos de acesso em tal catálogo.

Marais (2004, p. 62, tradução nossa), que se apoia na definição de Taylor, aponta que controle de autoridade é um “termo global e amplo para os processos técnicos do trabalho de autoridade e que tem como objetivo alcançar o controle sobre as formas variantes dos pontos de acesso”. Ainda segundo a autora, o “controle de autoridade obriga o uso de sistemas limitados e padronizados para a representação da informação e impõe uniformidade ao passo que rejeita divergência e diversidade” (MARAIS, 2004, p. 61, tradução nossa).

A concepção de Taylor sobre o controle de autoridade mostra-se presente também na definição que Reitz (2010, tradução nossa):

Os procedimentos pelos quais a consistência de forma é mantida nos cabeçalhos (nomes, títulos uniformes, títulos de séries e assuntos) utilizados em um catálogo de biblioteca ou arquivo de registros bibliográficos por meio da aplicação de uma lista autorizada (chamada arquivo de autoridade) aos novos itens quando eles são adicionados à coleção.

Rowley e Farrow (c2000) discordam de Taylor ao apontarem que o controle de autoridade não inclui somente a utilização dos pontos de acesso autorizados do arquivo de autoridade. Para os autores, o controle de autoridade diz respeito à manutenção e aplicação de pontos de acesso padronizados, à criação de registros de autoridade para os pontos de acesso, ao relacionamento dos registros de autoridade com os registros bibliográficos e à manutenção e avaliação do sistema de autoridade. (ROWLEY; FARROW, c2000, p. 369-370).

Segundo Chan (1994, p. 13-14) as atividades de controle de autoridade incluem a integração de registros de autoridade padronizados no sistema local e a preparação de registros de autoridade para aqueles nomes que não estão disponíveis em arquivos de autoridade padronizados. Ainda segundo Chan (2007, p. 166, tradução nossa), o controle de autoridade de nomes de pessoas e entidades coletivas tem três principais propósitos:

(a) garantir que todas as obras escritas por um particular autor, ou relacionadas a uma mesma entidade coletiva, sejam recuperadas com o mesmo ponto de acesso (ou sob o mesmo cabeçalho); (b) garantir que um particular ponto de acesso conduza somente às obras de um particular autor ou relacionadas a uma particular entidade coletiva; e (c) poupar o tempo e esforço de ter que estabelecer o cabeçalho cada vez que uma obra de um mesmo autor ou relacionada à mesma entidade coletiva é catalogada.

Bozzarelli (2004, p. 5, tradução nossa) aponta que o termo controle de autoridade é frequentemente utilizado como um termo genérico para designar um conjunto de práticas e procedimentos que visa à criação de um arquivo de autoridade. Para Clack (1990, p. 2, tradução nossa) o controle de autoridade

é o processo de garantir que toda entrada – nome, título uniforme, série ou assunto – que é selecionado como um ponto de acesso para o catálogo público é única e não está em conflito, por ser idêntica, com qualquer outra entrada que já está no catálogo ou que pode se incluída posteriormente.

Jiménez Pelayo e García Blanco (2002, p. 25) apontam que o controle de autoridade é um processo de normalização cujo objetivo é estabelecer a forma exata e inequívoca com a qual um ponto de acesso deve sempre ser utilizado em um catálogo. Sobre a variedade e ambiguidade terminológica, os autores defendem que os termos “controle de pontos de acesso”, “gestão de autoridades”, “gestão e manutenção de autoridades”, “trabalho de autoridades” e “controle de acesso” são sinônimos de “controle de autoridade”, uma vez que a diferença entre eles é puramente léxica (JIMÉNEZ PELAYO; GARCÍA BLANCO, 2002, p. 28).

Deste modo, a concepção apresentada por Jiménez Pelayo e García Blanco (2002, p. 25) de que controle de autoridade e trabalho de autoridade são a mesma coisa está diretamente em confronto com a de Burger (1985, p. 1), que aponta que o controle de autoridade ocorre por meio do trabalho de autoridade. Diante desta confrontação, o que podemos definir como trabalho de autoridade?

Trabalho de autoridade (authority work)

Burger (1985, p. 3, tradução nossa) define o trabalho de autoridade como sendo constituído por pelo menos cinco complexos processos, são eles:

1. a criação de registros de autoridade (os quais serão utilizados para criar registros bibliográficos autorizados)
2. a reunião dos registros em um arquivo de autoridade
3. a vinculação do arquivo de autoridade ao arquivo bibliográfico; juntos eles formam um sistema de autoridade
4. a manutenção do arquivo e do sistema de autoridade
5. a avaliação do arquivo e do sistema.

De acordo com Maxwell (2002, p. 3-5), o trabalho de autoridade consiste na formação de pontos de acesso uniformes, na manutenção do registro de autoridade e no registro das decisões tomadas em um arquivo de autoridade. Para o autor, o propósito do trabalho de autoridade é assegurar consistência ao catálogo para que o seu usuário tenha que realizar uma busca sob um e apenas um ponto de acesso para encontrar os registros associados a um determinado nome (MAXWELL, 2002, p. 1).

Para Frías Montoya (2001, p. 421-422, tradução nossa)

O “trabalho de autoridade” é uma denominação ampla que inclui os trabalhos de investigação e o esforço intelectual que comporta a criação e atualização dos registros de autoridade. […] o trabalho de autoridade compreende a criação de relações entre outras formas distintas do nome que podem ter sido utilizadas pelo autor […] A manutenção dos arquivos [de autoridade], dos registros bibliográficos e das referências associadas no catálogo da biblioteca também fazem parte do que temos denominado “trabalho de autoridade”.

Sobre o trabalho de autoridade, Marais (2004, p. 61, tradução nossa) aponta que ele “implica o trabalho de pesquisa, esforço intelectual e todas as tarefas burocráticas envolvidas na criação e atualização de registros de autoridade”.

Reitz (2010, tradução nossa) define o trabalho de autoridade como

O processo de decidir qual forma de um nome, título, título de série ou assunto será utilizado como cabeçalho autorizado no catálogo da biblioteca ou arquivo de registros bibliográficos, inclui o estabelecimento das remissivas apropriadas para o cabeçalho e seus relacionamentos com outros cabeçalhos no arquivo de autoridade.

Hagler (1997, p. 112-113, tradução nossa) aponta como sendo coletivamente chamadas de trabalho de autoridade as atividades de “determinar se existe ou não um relacionamento significante entre diferentes nomes ou termos e se um mesmo nome ou termo pode se referir a mais de uma diferente pessoa, conceito, etc.” e “estabelecer e relacionar todos os possíveis pontos de acesso que podem razoavelmente expressar cada pessoa, conceito, etc. independente”.

Conclusões

As concepções de controle de autoridade apresentadas por alguns autores, muitas vezes, mostram-se contraditórias entre si e variam desde uma abordagem do controle de autoridade como um estado que se alcança por meio da realização de um conjunto de atividades, até o próprio conjunto de atividades ou algumas atividades deste conjunto.

Bozzarelli, Chan, Frías Montoya, Jiménez Pelayo e García Blanco, Marais, Reitz, Rowley e Farrow e Taylor concebem o controle de autoridade como o conjunto de atividades, ou como algumas atividades deste conjunto, que são necessárias para se alcançar o que Burger chama de controle de autoridade.

Ainda que, de certo modo, as concepções aqui apresentadas não estejam de acordo com a de Burger, acreditamos que a concepção deste autor mostra-se mais adequada pela própria palavra “controle”: controle não é a ação em si, e sim o que é alcançado por meio de uma ou mais ações. Assim, não se faz o controle de autoridade, mas sim um conjunto de atividades que tem como meta o controle de autoridade.

Portanto, podemos concluir que o controle de autoridade consiste em um estado em que os pontos de acesso utilizados para representar as entidades em um catálogo estão consistentes. Na catalogação descritiva, além dos pontos de acesso representando pessoas, famílias e entidades coletivas, o controle de autoridade pode ser alcançado também sobre os pontos de acesso de localizações geográficas, obras, expressões e séries. O controle de autoridade é alcançado por meio de um conjunto de processos, os quais estão reunidos sob a denominação trabalho de autoridade.

Sobre o que seria este trabalho de autoridade, os autores que apresentaram este conceito o fizeram quase que de forma consensual, não ocorrendo divergências tão grandes quanto as existentes em relação ao conceito de controle de autoridade. Deste modo, principalmente com base em Burger (1985, p. 3), podemos considerar que o trabalho de autoridade como:

  • a criação de registros de autoridade;
  • a reunião dos registros de autoridade em um arquivo de autoridade;
  • o estabelecimento do vínculo entre o arquivo de autoridade e o catálogo, criando um sistema de autoridade;
  • a manutenção do arquivo de autoridade e do sistema de autoridade; e
  • a avaliação do arquivo de autoridade e do sistema de autoridade.

Por fim, além destas considerações, destacamos a falta de estudos sobre o controle e o trabalho de autoridade na área da catalogação descritiva em âmbito nacional. Tal constatação é comprovada pela quase inexistência de literatura nacional sobre o controle de autoridade na catalogação descritiva.

Agradecimentos

Este trabalho foi desenvolvimento com bolsa de Iniciação Científica concedida pela FAPESP (processo 10/07477-9).

Referências

BOZZARELLI, O. Authority control: teorie, applicazioni e prospettive di sviluppo. 2004. 129 f. Tese (Diploma in Teoria e tecniche della catalogazione e della classificazione) – Università degli Studi di Roma La Sapienza, Roma, 2004.

BURGER, R. H. Authority work: the creation, use, maintenance, and evaluation of authority records and files. Littleton: Libraries Unlimited, 1985.

CHAN, L. M. Cataloguing and classification: an introduction. 2nd ed. New York: McGraw-Hill, 1994.

CHAN, L. M. Cataloguing and classification: an introduction. 3rd ed. Lanham: The Scarecrow Press, 2007.

CLACK, D. H. Authority control: principles, applications, and instructions. Chicago: ALA, 1990.

FRÍAS MONTOYA, J. A. El control de autoridades y el acceso a la información. In: PINTO MOLINA, M. (Ed.). Catalogación de documentos: teoría y práctica. 2. ed. rev. y actual. Madrid: Sintesis, 2001. p. 419-172.

HAGLER, R. The bibliographic record and information technology. 3rd ed. Chicago: ALA; Otawa: Canadian Library Association, 1997.

JIMÉNEZ PELAYO, J.; GARCÍA BLANCO, R. El catálogo de autoridades: creación y gestión en unidades documentales. Gijón: Trea, 2002.

MARAIS, H. Authority control in an academic library consortium using a union catalogue maintained by a central office for authority control. 2004. 310 f. Tese (Doctor of literature and philosophy in the subject Information Science) – University of South Africa, Pretoria, 2004.

MAXWELL, R. L. Maxwell’s guide to authority work. Chicago: ALA, 2002.

MEY, E. S. A. Introdução à catalogação. Brasília: Briquet de Lemos, 1995.

REITZ, J. M. Online dictionary for library and information science. Last updated March 9, 2010. Santa Barbara: Libraries Unlimited, 2010.

ROWLEY, J.; FARROW, J. Organizing knowledge: an introduction to managing access to information. 3rd ed. Aldershot: Ashgate, c2000.

STATEMENT of International Cataloguing Principles. [S.l.]: IFLA, 2009.

O que é um campo repetitivo?

Repetitivo ou Repetível?

Já faz um tempo que algo me incomoda em alguns manuais, livros, sites, etc. de catalogação. Hoje me deparei com isso em um artigo, então decidi interromper minha leitura e vir aqui esclarecer um pouco as coisas ou, no mínimo, mostrar meu ponto de vista sobre esse assunto polêmico: “repetitivo”.

A palavra “repetitivo” tem sido associada aos campos e subcampos (ou metadados) dos padrões de metadados (MARC 21, Dublin Core, etc.) para indicar a possibilidade de um campo ou subcampo ocorrer mais de uma vez em uma mesma descrição. Se pode ocorrer mais de uma vez, é “repetitivo”; se não pode é “não repetitivo” – os clássicos (R) e (NR).

A palavra “repetitivo” diz respeito a “algo que repete” ou “algo que se repete”. Por exemplo, “Essa música é muito repetitiva” e “O discuro daquele candidato é repetitivo”.

O que temos, no caso dos campos e subcampos que podem ocorrer mais de uma vez, é a “possibilidade de se repetir”. Portanto, não temos algo “que se repete”, mas sim algo “que pode se repetir” (algo passível de repetição).

Com isso, quando estamos explicando um padrão de metadados, não é correto dizermos que um campo é repetitivo, mas sim que ele é repetível.

Mas, se estamos analisando uma descrição em particular na qual um campo ocorre mais de uma vez, podemos sim dizer que esse campo, nessa descrição, é repetitivo.

Tudo bem coleguinhas? Então corram para atualizar seus manuais de catalogação substituindo “Repetitivo (R)” por “Repetível (R)” e “Não repetitivo (NR)” por “Não repetível (NR)”.

Melhor que atualizar seu manual é atualizar seu manual e deixar um comentário aqui no blog, principalmente se você tiver um ponto de vista diferente 😉

Reflexões sobre a indicação de responsabilidade e os pontos de acesso

Pontos de acesso

Uma dúvida frequente das pessoas que estão aprendendo a catalogar é: se já registro o nome dos responsáveis na indicação de responsabilidade, por que preciso registrá-los também na forma de pontos de acesso?

Quando penso nessas questões penso em alguns pontos. Vamos a esses pontos então.

“Qual a função de uma indicação de responsabilidade?

Segundo o glossário do AACR2r (2004, p. D-7), uma indicação de responsabilidade é um “Indicação transcrita do item que está sendo descrito, referente às pessoas responsáveis por seu conteúdo intelectual ou artístico, às entidades das quais emana o conteúdo, ou às pessoas ou entidades responsáveis pela execução do conteúdo do item.”.

Segundo o RDA (2012, 2.4.2.1), “Uma indicação de responsabilidade relacionada ao título principal é um indicação associada ao título principal que traz a identificação e/ou a função de qualquer pessoa, família ou entidade coletiva responsável pela criação do conteúdo intelectual ou artístico do recurso ou que contribua para a realização de tal conteúdo”.

Com base nessas definições, podemos dizer que as funções de uma indicação de responsabilidade são essencialmente duas: (1) indicar as entidades (pessoas, entidades coletivas, famílias) que possuem alguma relação com o conteúdo do recurso e (2) indicar qual é esta relação.

“Por que não incluímos pontos de acesso para todos?”

Em um catálogo em fichas, cada ponto de acesso adicional (secundário) requer uma cópia da ficha principal ou matriz, assim, incluir pontos de acesso para todas as entidades associadas a um recurso é muito oneroso, pois requer recursos humanos e materiais.

“Ok, reproduzir fichas era algo dispendioso, mas em um catálogo digital não precisamos reproduzir os registros, basta adicionarmos mais e mais campos 7xx (700, 710, 711, etc.).”

Infelizmente não é tão simples assim. Tanto em um catálogo em fichas quanto em um digital, adicionar mais e mais pontos de acessos pode parecer simples somente se você e sua instituição não se importam com a consistência do catálogo. Se vocês entendem a necessidade da consistência e se empenham para garantir que ela seja alcançada, sabem que cada ponto de acesso autorizado requer um registro de autoridade ou, ao menos, uma consulta a algumas fontes de informação, o que demanda, também, recursos humanos e materiais.

Como resultado da preocupação com os custos relacionados à criação de fichas secundárias e de registros de autoridade há limitação dos pontos de acesso imposta pelos códigos de catalogação. Um exemplo dessa limitação é a regra 21.30K1 do AACR2r, que estabelece condições para que seja adicionado ao registro bibliográfico um ponto de acesso para o tradutor do recurso informacional.

“Os catálogos digitais atuais podem permitir que qualquer dado de um registro bibliográfico seja um ‘ponto de acesso’.”

No contexto dos catálogos em fichas, devido às limitações espaciais impostas pelo formato da ficha catalográfica, os pontos de acesso (antes chamados de cabeçalhos) eram realmente os únicos meios de se ter acesso a uma descrição (considerando aqui também como pontos de acesso os números de chamada, no caso dos catálogos topográficos, e os números de classificação, no caso dos catálogos sistemáticos).

Hoje, em um catálogo digital, há a possibilidade de chegarmos a uma descrição por meio de qualquer um de seus atributos, não somente por meio dos pontos de acesso estabelecidos pelas regras de catalogação e pela catalogação de assunto. Temos tecnologia suficiente para que eu possa acessar a descrição de um livro por meio de um atributo que indique que ele é uma autobiografia (valor “a” na posição 34 do campo 008 do Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos), por meio de seu local de publicação ou de seu resumo.

Os pontos de acesso de assunto incluem dados não encontrados na descrição, assim não podemos nos poupar de sua inclusão em um registro bibliográfico. Já os pontos de acesso de responsabilidade são, em sua maior parte, constituídos por dados presentes na descrição do recurso, mais especificamente no elemento indicação de responsabilidade.

“Por que não abandonamos esses pontos de acesso de responsabilidade? Eles são dispendiosos e a função que desempenham no acesso ao recurso pode ser desempenhada pela indicação de responsabilidade.”

Será que a função dos pontos de acesso é apenas possibilitar o acesso?

Não. Uma de suas funções é possibilitar que o usuário do catálogo faça uma e somente uma busca para acessar todas as descrições associadas à entidade por ele desejada, independentemente do nome ou da forma do nome pelo qual ele conhece a entidade.

Isso ocorre porque o controle dos pontos de acesso reúne em um registro de autoridade todos os nomes e formas do nome utilizados pela entidade, elegendo um ponto de acesso autorizado que será utilizado nos registros bibliográficos sempre que necessário mencionar a entidade em questão. O sistema, analógico ou digital, é construído para guiar o usuário ao ponto de acesso autorizado e, então, aos registros bibliográficos que contêm tal ponto de acesso.

Há, no entanto, outra função dos pontos de acesso controlados que, embora nem sempre percebida claramente, é de extrema importância aos catálogos, principalmente se falarmos em FRBR e catálogos mais “interessantes”.

Antes mascarados pelo termo “cabeçalho” e agora por “ponto de acesso“, esses elementos relacionam de forma implícita ou explícita as descrições dos recursos informacionais cobertos pelo catálogo.

Esses relacionamentos permitem a disposição (reunião, arranjo, etc.) das descrições dos recursos informacionais que compartilham uma mesma característica: obras com um mesmo tema ou criadas por uma mesma pessoa, as expressões de um obra, as manifestações (edições, formatos, etc.) de uma expressão, etc.

Essa disposição das descrições, idealizada já no século XIX na obra de Charles A. Cutter*, é a base para agregarmos valor aos nossos registros e oferecermos ao usuário um catálogo em que ele possa, de modo rápido e fácil, escolher entre aqueles recursos que satisfazem suas necessidades informacionais e aqueles que não.

Convenhamos que a maior parte dos catálogos digitais – principalmente os brasileiros – simulam catálogos em fichas. O principal diferencial de uma parte desses catálogos é o uso de links nos pontos de acesso, o que facilita a navegação do usuário até a disposição das descrições que compartilham um mesmo ponto de acesso.

Deixar de registrar os pontos de acesso só porque os nomes dos responsáveis pelo recurso já estão registrados na indicação de responsabilidade seria privar esses catálogos da pouca vantagem que eles tiram das tecnologias atualmente disponíveis.

“Já que não podemos nos desfazer dos pontos de acesso, o que faremos? Continuamos a registrar duas vezes um mesmo dado?”

Não. O problema não está nos pontos de acesso controlados, mas sim na indicação de responsabilidade. A solução que penso ser a mais adequada é deixar de registrar a indicação de responsabilidade.

“Já que podemos acessar uma descrição por qualquer um de seus atributos, se abolirmos a indicação de responsabilidade, como o usuário terá acesso à descrição por meio de dados que constam somente em tal elemento, por exemplo, o nome de um tradutor para o qual não foi adicionado um ponto de acesso?”

Simples: inclua também pontos de acesso para os tradutores e outros responsáveis, se a política de sua instituição prover essa orientação, claro.

“Se preciso incluir pontos de acesso para todos e, pensando na consistência do catálogo, preciso criar registros de autoridade para cada ponto de acesso autorizado, quanto vai custar uma catalogação?”

Pode não ser necessário criar um registro de autoridade para cada entidade, pois, assim como acontece com os registros bibliográficos, outra instituição pode já ter criado o registro de que você precisa. Temos tecnologias para possibilitar o compartilhamento de dados bibliográficos e de autoridade em escala global, o que falta são pessoas pensando nisso e dispostas a fazer algo.

“E a segunda função da indicação de responsabilidade? Em um ponto de acesso, como indicarei a relação de cada entidade com o conteúdo do recurso?

Provavelmente poucos conhecem e/ou utilizam os subcampos $e “Termo relacionador” e $4 “Código relacionador” dos campos 100, 110, 700, 710, etc. do Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos. Esses subcampos destinam-se ao registro dos termos e códigos que indicam a relação entre a entidade representada pelo ponto de acesso e o recurso descrito no registro bibliográfico. Assim, o uso desses subcampos permite que os pontos de acesso cumpram a segunda função da indicação de responsabilidade.

O uso de termos para indicar o relacionamento entre as entidades (obras, expressões, manifestações, itens, pessoas, entidades coletivas, etc.) é algo previsto no RDA, onde esses termos são chamados de designadores de relacionamento (relationship designators). E, diferente do AACR2r que traz poucos designadores (comp., coord., il., trad.), o RDA traz listas e mais listas de designadores.

Resumindo: os pontos de acesso e os designadores de relacionamento podem suprimir a necessidade de registrarmos as indicações de responsabilidade. Assim, para concluir esta reflexão, penso que, do mesmo modo com que “entrada principal” e “entrada secundária” perderam seu sentido no ambiente digital, mais cedo ou mais tarde a indicação de responsabilidade também perderá seu sentido e, principalmente, sua importância em tal ambiente.

* Para saber mais sobre o objetivo de dispor (collocating objective) e sobre outros objetivos dos catálogos definidos por Cutter, recomendo a leitura do trabalho “A importância do controle de autoridade: uma abordagem baseada nos objetivos e nas funções dos catálogos“, apresentado I Encontro Nacional de Catalogadores e no III Encontro de Estudos e Pesquisa em Catalogação.

O MARC 21 e um polígono de N lados

Apenas reflexões…

O MARC 21 é ensinado nos cursos de Biblioteconomia porque os softwares das bibliotecas o utilizam?
Os softwares utilizam o MARC 21 porque as bibliotecas requerem?
As bibliotecas requerem o MARC 21 porque seus bibliotecários aprenderam sobre ele?
Os programas de catalogação cooperativa utilizam o MARC 21 porque ele é utilizado pelas bibliotecas?
O MARC 21 é ensinado porque é utilizado nos programas de catalogação cooperativa?
Os softwares utilizam o MARC 21 porque ele é ensinado nos cursos?

Os cursos continuam ensinando só o MARC 21 porque não vêm o uso de outros formatos?
Os softwares continuam utilizando só o MARC 21 porque os bibliotecários não requerem outros formatos?
Os bibliotecários continuam requerendo só o MARC 21 porque não conhecem outros formatos?
Os bibliotecários continuam conhecendo só o MARC 21 porque não aprenderam sobre outros formatos?
Os programas de catalogação cooperativa continuam utilizando só o MARC 21 porque os bibliotecários não conhecem outros formatos?

E se os cursos ensinassem outros formatos (Metadata Object Description Standard (MODS), Metadata Authority Description Schema (MADS), etc.)?
Os bibliotecários requereriam outros formatos porque aprenderam sobre eles?
Os softwares utilizariam outros formatos porque os bibliotecários requisitaram?
Os programas de catalogação cooperativa utilizariam outros formatos porque os bibliotecários aprenderam sobre eles?

OU

E se os softwares utilizassem outros formatos (MODS, MADS, etc.)?
Os cursos ensinariam outros formatos porque os veriam em uso?
Os bibliotecários conheceriam outros formatos porque aprenderam sobre eles?
Os programas de catalogação cooperativa utilizariam outros formatos porque os bibliotecários aprenderam sobre eles?

OU

E se os bibliotecários buscassem saber sobre outros formatos?

O que o bibliotecário sabe sobre softwares, catalogação cooperativa e MARC 21?
O que o software sabe sobre o catalogador, a catalogação cooperativa e o MARC 21?
O que sabemos sobre os outros formatos? Penso que a mudança deve começar principalmente em dois lados desse polígono de N lados: do lado softwares/sistemas de bibliotecas e do lado das pesquisas e ensino de Catalogação.