Artigo: Cataloging Then, Now, and Tomorrow

Cataloging - Tag cloud

Foi publicado na American Libraries o artigo Cataloging Then, Now, and Tomorrow (“Catalogação ontem, hoje e amanhã” em uma tradução livre) de Elise (Yi-Ling) Wong.

Em seu artigo, além de contar algumas de suas experiências profissionais, a autora apresenta uma visão bastante instigante sobre o futuro da catalogação – não das regras ou dos formatos, mas sim da atuação do catalogador. Seguem algumas das colocações da autora:

“Catalogação não é mais conhecer cada ficha do catálogo ou apenas dar um toque individual para cada registro que importamos para o sistema de gerenciamento de bibliotecas. Hoje, os catalogadores necessitam conhecer os vários truques de manipulação de registros em lote sem ter que editá-los um a um.”

“Resumindo, há mais em ser um catalogador do que “apenas” ser um interprete de regras de catalogação (seja AACR2 ou RDA) ou um expert em vários formatos de recursos. Catalogadores não vivem mais em um mundo isolado. Estamos orgulhosos por sermos os gestores dos recursos informacionais e dos sistemas de gerenciamento de bibliotecas, mas somos – e devemos ser – capazes de mais.”

Você segue o MARC 21?

Se você é bibliotecário provavelmente já ouvi dizer que é necessário “seguir” os padrões utilizados na catalogação, por exemplo, os formatos MARC 21.

Márcia Carvalho Rodrigues e Marcelo Votto Teixeira, no artigo “Aplicabilidade dos campos 490 e 800-830 do Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos“, buscam informar aos desavisados bibliotecários (principalmente aos catalogadores) a importância de conhecer, entender e participar do processo de desenvolvimento e atualização dos padrões da catalogação.

“A padronização dos registros bibliográficos na catalogação é um subsídio fornecido aos profissionais para que possam unificar informações e facilmente transportá-las pelas redes de computadores. É uma tarefa em constante aprimoramento e dela depende não apenas o conhecimento de números, símbolos e suas representações dentro de um contexto sistematizado, mas o acompanhamento das mudanças tecnológicas e as consequentes adequações desses padrões a novos recursos informacionais.” (p. 47)

Em suas considerações finais, os autores deixam bem claro a realidade de boa parte da catalogação brasileira: ela apenas “segue” o MARC 21.

“No Brasil, o formato MARC é visto como um qualificador de bibliotecas e é comum ver em apresentações institucionais as expressões “Trabalhamos com o formato MARC” ou “Nossa catalogação segue o padrão MARC”. Mas é esse o principal questionamento que levantamos sobre a catalogação brasileira: ela apenas “segue o padrão MARC” (entenda aqui a expressão “seguir” como “estar sempre atrás”), já que as bibliotecas brasileiras nunca acompanham efetivamente o que está sendo decidido acerca desse conglomerado de campos, subcampos e indicadores que constituem o MARC 21.” (p. 59-60)

O artigo está disponível na íntegra em revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/viewArticle/1793.

Mudanças e desafios para a aplicação do RDA

Recentemente postei o resumo do artigo “RDA, el nuevo código de catalogación: cambios y desafíos para su aplicación” das autoras Paola Picco e Virginia Ortiz Repiso, publicado na Revista Española de Documentación Científica.

O artigo, muito bem escrito, apresenta um panorama cobrindo várias questões relacionadas ao RDA e ao contexto atual da catalogação, tais como uma categorização dos padrões, princípios, modelos, etc., os modelos conceituais FRBR e FRAD, a estrutura, os cenários de implantação e a adoção do RDA, o movimento linked data e a Web Semântica.

A título de amostra do conteúdo do artigo, seguem as conclusões das autoras:

“El mundo de los catálogos, en la actualidad, está sufriendo numerosos cambios para poder acompasar el ritmo tecnológico imperante. Nos encontramos, en este momento, en una etapa de transición en la que las normas y formatos tradicionales siguen empleándose de forma mayoritaria. Pero comienzan, al mismo tiempo, a materializarse nuevas formas para los catálogos que, con seguridad, se consolidarán en los próximos años. Este cambio es absolutamente necesario, ya que la catalogación está marcada por el entorno manual en el que fue creándose y desarrollándose. Ahora es tiempo de adaptar las prácticas antiguas a un nuevo medio para que el catálogo siga representando un papel importante entre el gran número de recursos de información a los que tenemos acceso.

Respecto a las RDA debemos señalar que van a producir un cambio muy significativo en la forma de trabajo del catalogador, la nueva estructura basada en las FRBR y FRAD obliga a cambiar las dinámicas tradicionales de trabajo. Conduce a incorporar una nueva terminología y forma de pensar al momento de catalogar. Con respecto a la creación de los registros bibliográficos, si se sigue utilizando el formato MARC21, los cambios que se introducen son mínimos. Ahora, la gran incertidumbre se plantea en las nuevas modalidades de implementación, que podrán adquirir éstos a partir de los desarrollos que surjan con la utilización de las herramientas de la web semántica, pero que, en todo caso, es todavía muy pronto para concluir al respecto. 

Por otro lado, parecería que las RDA no responden de forma adecuada al planteamiento de simplificar la catalogación, los resultados a priori que arroja esta investigación hacen presumir que deberán ser utilizadas por catalogadores con mucha experiencia, alejándose cada vez más de otras comunidades que podrían interesarse en su aplicación, como son los editores, archivos, museos, y así poder ampliar el universo de cooperación.

Después del estudio realizado, nos preguntamos si el modelo vigente de la catalogación, que propone dar respuesta desde un único código al variado universo bibliográfico es el adecuado. O si tal vez, la variedad de recursos y sus características intrínsecas requieren varias herramientas que contemplen de forma específica el tratamiento de cada uno de ellos, dando respuestas más sencillas y flexibles. Y que, por último, que sean las tecnologías las que desarrollen mecanismos que permitan subsanar lo que los estándares de descripción no pueden hacer. En esta línea orientaremos nuestra investigación, para aportar en esta necesaria discusión que debemos abordar en la comunidad de catalogadores.

Por último, no podemos concluir sin hacer referencia a los desafíos tecnológicos que implica adoptar el nuevo código. Como ya lo mencionamos, las RDA son independientes de las normas de almacenamiento y presentación de datos, brindándoles a las instituciones la posibilidad que adopten los mecanismos que sean más adecuados a sus necesidades. Pero esta libertad es bastante limitada por dos razones; la primera es la disposición real de tecnologías que sean coherentes con el planteamiento del código, mencionamos como ejemplo que se definen elementos básicos para describir cualquier recurso, y por lo tanto, en algún lugar, se deben registrar: la incorporación de los campos 336, 337 y 338 son solo una muestra.

La segunda limitación tiene que ver con la compatibilidad de los registros que se generen en modelos nuevos, es decir, tiene que ser un instrumento que permita intercambiar la información con las demás bibliotecas, especialmente en un momento de transición, en donde cada institución lo hará a su ritmo, según sus posibilidades y «creencias», lo que provocará que convivan simultáneamente registros generados a partir de las AACR con los nuevos según las RDA.

Delsey (2009) definió los tres posibles escenarios de implementación; el segundo y el tercero corresponden a los catálogos disponibles en la actualidad, pero el primero es toda una incertidumbre. El gran desafío que tenemos por delante es interesar a la comunidad informática en que se involucre en proyectos de desarrollo de software con las características definidas en ese nuevo escenario.”

O RDA é o único caminho?

Uma das apresentações do VII Encuentro Internacional e III Nacional de Catalogadores, realizado em Buenos Aires, Argentina, de 23 a 25 de novembro de 2011, foi a de James Weinheimer: “Is RDA the Only Way? An Alternative Option Through International Cooperation” (O RDA é o único caminho? Uma alternativa por meio da cooperação internacional).

Em sua apresentação, Weinheimer aponta alguns questionamentos à utilização do RDA e apresenta de forma breve o projeto Cooperative Cataloging Rules Wiki.

A apresentação tem com pano de fundo a diversidade de recursos disponíveis na Web, a não cobertura (ou a pouca cobertura) desses recursos por parte dos catálogos de bibliotecas e o cenário de crise financeira que compromete, dentre outros, o orçamento das bibliotecas, impactando no quadro de catalogadores e na dificuldade de promover ações visando à implantação do RDA.

Para sumarizar a apresentação de Weinheimer, seguem alguns trechos de seu texto.

“Depois de vários anos em desenvolvimento, o RDA tem sido oferecido como um passo em direção à solução para os catálogos. Mas será que é? O que exatamente ele oferece aos nossos usuários que não seja o que eles têm hoje?

Em síntese:

  • abreviaturas substituídas por extenso
  • algumas mudanças na pontuação
  • designação geral do material (DGM) substituída pelos campos 33x
  • diferentes regras de transcrição
  • abolição da regra de três pela regra de um de acordo com o critério do catalogador
  • poucas mudanças nos títulos uniformes

Como nossos usuários experimentarão essas mudanças? Estou seguro de que a maioria deles não irá nem notar, exceto quando tomarem ciência de algumas inconsistências, por exemplo, algumas palavras por extenso em alguns registros em oposição às abreviaturas em outros. Usuários certamente não notarão as diferenças nas práticas de transcrição. […]”

“O principal ponto mencionado a favor do RDA é que ele está um passo à frente em direção ao FRBR, o qual permitirá que as pessoas encontrem, identifiquem, selecionem e obtenham obras, expressões, manifestações e itens pelos seus autores, títulos e assuntos. É claro que esse objetivo provoca diversas questões. Primeiro, a nova estrutura é necessária para permitir que as pessoas realizem as tarefas do usuário ou temos sistemas modernos que já alcançaram tais tarefas? Vejamos um exemplo. Aqui está uma busca por El Aleph de Jorge Borges no WorldCat. Com a atual capacidade dos catálogos online, todas as variações de diferentes expressões e manifestações podem atualmente ser encontradas e navegadas quando buscadas corretamente. Aqui, o buscador pode limitar por formato, por outros autores, […] por idiomas, datas, anos e assim por diante.”

Busca no WorldCat (http://migre.me/83Uxb).

Mas, além disso, nós podemos proclamar honestamente que as pessoas realmente e verdadeiramente desejam as tarefas do usuário do FRBR, ou seja, que sejam capazes de distinguir todas as expressões, manifestações e itens de uma particular obra? É isso que as pessoas esperam ou elas esperam por algo completamente diferente? Por exemplo, me ocorre perguntar às pessoas que cruzam a porta de uma biblioteca o que elas esperam fazer primordialmente.

Buscar no catálogo?

Ou será que querem trabalhar com os materiais para de fato utilizá-los?

Ou navegar entre as estantes?

Penso que o que as pessoas realmente esperam é trabalhar com os materiais da coleção lendo e navegando entre as estantes (quando isso é possível). A maioria das pessoas não está interessada nos detalhes de um livro – as minúsculas diferenças entre expressões, o que é uma nova expressão vs. uma nova obra, as datas de publicação de específicas manifestações, o número exato de páginas, quem são os publicadores e assim por diante. […]

Ao mesmo tempo, enquanto essas informações são pouco importantes para os nossos usuários, elas são de importância absolutamente vital para aqueles que mantem a coleção, ou seja, os bibliotecários, que devem manter um inventário completo de cada item. No passado, realmente não pôde existir um catálogo para os bibliotecários e outro para os usuários – todos tinham que utilizar a mesma ferramenta. Os computadores têm avançado para o ponto em que essa suposição não mais se sustenta hoje, e a ferramenta para o usuário pode estar organizada e trabalhar muito diferente daquela utilizada pelos gestores da coleção.

Por todas essas razões, eu acredito que o RDA e o FRBR, embora bem intencionados e iniciados por excelentes e sinceros experts em catalogação, estão indo em uma direção muito diferente da necessária aos nossos usuários. De fato, observando essas iniciativas de tal ponto de vista, verifica-se que elas na verdade apenas continuam os mesmos métodos e têm os mesmos objetivos encontrados no começo dos catálogos. Como um resultado, eu não vejo razão para adotar o RDA desde que ele não proverá qualquer coisa substancialmente nova aos nossos usuários. […]”

Ainda sobre a adoção do RDA, Weinheimer comenta:

“[…] se o RDA é adotado pelas principais bibliotecas, as outras bibliotecas têm uma escolha?”

“[As bibliotecas que concluírem que o RDA é uma escolha incorreta] ainda estariam sob pressão para aceitar o RDA, pois temeriam que o AACR2r não fosse mais atualizado e que suas regras se tornariam cada vez mais obsoletas.

Essas são algumas das preocupações em razão das quais decidi iniciar o Cooperative Cataloging Rules Wiki. Uma vez que as vantagens da implantação do RDA não são claras, senti que fosse importante prover às bibliotecas que não quisessem ou não pudessem implantar o RDA uma verdadeira alternativa. Portanto, o que era necessário era algo que garantisse que as atuais regras continuassem a ser atualizadas.

Quero enfatizar que o Cooperative Cataloging Rules Wiki absolutamente não é uma solução definitiva para os problemas dos catálogos e da catalogação. […] Tudo que o Cooperative Cataloging Rules Wiki faz é criar uma maneira de manter as regras em vigor, manter nosso AACR2!”

Weinheimer finaliza com:

“O RDA tem sido empreendido por habilidosos e experientes catalogadores que estão altamente motivados. Infelizmente, sinto que seus esforços têm estado na direção errada.

[O Cooperative Cataloging Rules Wiki] não declara que nenhuma mudança é necessária, mas sim que as mudanças necessárias são mais profundas que as mudanças superficiais sugeridas pelo RDA. […]”.

O texto completo está disponível em inglês e espanhol. Os slides utilizados durante a apresentação estão disponíveis em inglês.

A apresentação de Weinheimer, assim como os textos frequentemente publicados em seu blog, aborda diversos pontos de reflexão. Confesso que achei quase impossível não alterar no mínimo uma pequena parte de minhas opiniões sobre o RDA diante desse texto. E vocês, o que acharam do texto? E do RDA?

Artigos brasileiros sobre o FRBR

FRBR é a sigla de Functional Requirements for Bibliographic Records (Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos).

O FRBR é um modelo conceitual desenvolvido por um grupo de estudo da IFLA entre os anos de 1992 e 1997 e publicado em 1998.

O modelo conceitual FRBR já causou, está causando e ainda causará muitas discussões no cenário da catalogação.

O modelo está disponível em inglês, em espanhol e em vários outros idiomas no endereço: www.ifla.org/publications/functional-requirements-for-bibliographic-records.

Recomendo, para os interessados em se aprofundar no FRBR, além do próprio modelo, alguns artigos nacionais:

FUSCO, Elvis; SANTOS, Plácida Leopoldina Ventura Amorim da Costa. Uma proposta de framework como infra-estrutura de implementação de sistemas informacionais baseados na visão dos FRBR orientado a objetos. Informação & Sociedade: Estudos, v. 19, n. 1, jan./abr. 2009.

MAIMONE, Giovana Deliberali; SILVEIRA, Naira Christofoletti; TÁLAMO, Maria de Fátima Gonçalves Moreira. Reflexões acerca das relações entre representação temática e descritiva. Informação & Sociedade: Estudos, v. 21, n. 1, 2011.

MORENO, Fernanda Passini; BRÄSCHER, Marisa. MARC, MARCXML e FRBR: relações encontradas na literatura. Informação & Sociedade: Estudos, v. 17, n. 3, set./dez. 2007.

MORENO, Fernanda Passini. O modelo conceitual FRBR: discussões recentes e um olhar sobre as tarefas do usuário. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 14, n. 27, 2009.

MORENO, Fernanda Passini; MÁRDERO ARELLANO, Miguel Ángel. Requisitos funcionais para registros bibliográficos – FRBR: uma apresentação. Revista Digital de Biblioteconomia & Ciência da Informação, v. 3, n. 1, jul./dez. 2005.

SILVEIRA, Naira Christofoletti; TÁLAMO, Maria de Fátima Gonçalves Moreira. Os FRBR e a escolha do ponto de acesso pessoal. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 14, n. 2, maio/ago. 2008.

Atenção! Para outros artigos e textos sobre o FRBR, clique aqui.