FRBR: considerações sobre o modelo e sua implementabilidade

Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos (FRBR)

O volume 8, número 2 da Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação traz o artigo Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos (FRBR): considerações sobre o modelo e sua implementabilidade, de autoria de Renata Eleuterio da Silva e Plácida Leopoldina Ventura Amorim da Costa Santos.

As tecnologias de informação e comunicação (TIC) tornaram possível a adaptação dos catálogos bibliográficos ao ambiente digital, dando a eles muito mais rapidez, flexibilidade e eficiência na recuperação da informação. Os FRBR, sendo um modelo conceitual para o universo bibliográfico baseado na modelagem entidade-relacionamento, trouxeram à área da Biblioteconomia a possibilidade de tornar mais eficiente o funcionamento dos catálogos. O modelo FRBR foi a primeira iniciativa que se importou com a forma de realizar a modelagem conceitual de catálogos bibliográficos, de modo que não se gastassem mais esforços com o desenvolvimento individual de modelagens distintas e inconsistentes. Entretanto, mesmo muitos anos após sua publicação, poucas foram as reais iniciativas de implementação. Objetiva-se apresentar de forma sucinta o modelo FRBR, com base em suas principais características e estrutura, além de trazer à discussão algumas considerações e inconsistências que, de acordo com a literatura estudada, podem ser a justificativa para a falta de iniciativas de implementação do mesmo. Toma-se por base a literatura nacional e internacional sobre modelagem conceitual e sobre o modelo FRBR.

O artigo está disponível em: http://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/214.

Artigos: Interoperabilidade global e linked data em bibliotecas

Italian Journal of Library and Information Science

O volume 4, número 1, do Italian Journal of Library and Information Science, publicado em  janeiro de 2013, traz alguns dos trabalhos apresentados durante o seminário Global Interoperability and Linked Data in Libraries, realizado em 18 e 19 de junho de 2012 na University of Florence.

Os 27 artigos desse número estão divididos em três seções: Linked data como um novo paradigma da interconexão de dados, Publicação de vocabulários e padrões em linked data e Em direção à Web dos Dados: aplicações e experiências.

Alguns dos artigos são:

Os artigos, disponíveis em inglês e em italiano, podem ser acessados em Italian Journal of Library and Information Science, v. 4, n. 1, 2013.

Artigo: Cataloging Then, Now, and Tomorrow

Cataloging - Tag cloud

Foi publicado na American Libraries o artigo Cataloging Then, Now, and Tomorrow (“Catalogação ontem, hoje e amanhã” em uma tradução livre) de Elise (Yi-Ling) Wong.

Em seu artigo, além de contar algumas de suas experiências profissionais, a autora apresenta uma visão bastante instigante sobre o futuro da catalogação – não das regras ou dos formatos, mas sim da atuação do catalogador. Seguem algumas das colocações da autora:

“Catalogação não é mais conhecer cada ficha do catálogo ou apenas dar um toque individual para cada registro que importamos para o sistema de gerenciamento de bibliotecas. Hoje, os catalogadores necessitam conhecer os vários truques de manipulação de registros em lote sem ter que editá-los um a um.”

“Resumindo, há mais em ser um catalogador do que “apenas” ser um interprete de regras de catalogação (seja AACR2 ou RDA) ou um expert em vários formatos de recursos. Catalogadores não vivem mais em um mundo isolado. Estamos orgulhosos por sermos os gestores dos recursos informacionais e dos sistemas de gerenciamento de bibliotecas, mas somos – e devemos ser – capazes de mais.”

Você segue o MARC 21?

Se você é bibliotecário provavelmente já ouvi dizer que é necessário “seguir” os padrões utilizados na catalogação, por exemplo, os formatos MARC 21.

Márcia Carvalho Rodrigues e Marcelo Votto Teixeira, no artigo “Aplicabilidade dos campos 490 e 800-830 do Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos“, buscam informar aos desavisados bibliotecários (principalmente aos catalogadores) a importância de conhecer, entender e participar do processo de desenvolvimento e atualização dos padrões da catalogação.

“A padronização dos registros bibliográficos na catalogação é um subsídio fornecido aos profissionais para que possam unificar informações e facilmente transportá-las pelas redes de computadores. É uma tarefa em constante aprimoramento e dela depende não apenas o conhecimento de números, símbolos e suas representações dentro de um contexto sistematizado, mas o acompanhamento das mudanças tecnológicas e as consequentes adequações desses padrões a novos recursos informacionais.” (p. 47)

Em suas considerações finais, os autores deixam bem claro a realidade de boa parte da catalogação brasileira: ela apenas “segue” o MARC 21.

“No Brasil, o formato MARC é visto como um qualificador de bibliotecas e é comum ver em apresentações institucionais as expressões “Trabalhamos com o formato MARC” ou “Nossa catalogação segue o padrão MARC”. Mas é esse o principal questionamento que levantamos sobre a catalogação brasileira: ela apenas “segue o padrão MARC” (entenda aqui a expressão “seguir” como “estar sempre atrás”), já que as bibliotecas brasileiras nunca acompanham efetivamente o que está sendo decidido acerca desse conglomerado de campos, subcampos e indicadores que constituem o MARC 21.” (p. 59-60)

O artigo está disponível na íntegra em revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/viewArticle/1793.

Mudanças e desafios para a aplicação do RDA

Recentemente postei o resumo do artigo “RDA, el nuevo código de catalogación: cambios y desafíos para su aplicación” das autoras Paola Picco e Virginia Ortiz Repiso, publicado na Revista Española de Documentación Científica.

O artigo, muito bem escrito, apresenta um panorama cobrindo várias questões relacionadas ao RDA e ao contexto atual da catalogação, tais como uma categorização dos padrões, princípios, modelos, etc., os modelos conceituais FRBR e FRAD, a estrutura, os cenários de implantação e a adoção do RDA, o movimento linked data e a Web Semântica.

A título de amostra do conteúdo do artigo, seguem as conclusões das autoras:

“El mundo de los catálogos, en la actualidad, está sufriendo numerosos cambios para poder acompasar el ritmo tecnológico imperante. Nos encontramos, en este momento, en una etapa de transición en la que las normas y formatos tradicionales siguen empleándose de forma mayoritaria. Pero comienzan, al mismo tiempo, a materializarse nuevas formas para los catálogos que, con seguridad, se consolidarán en los próximos años. Este cambio es absolutamente necesario, ya que la catalogación está marcada por el entorno manual en el que fue creándose y desarrollándose. Ahora es tiempo de adaptar las prácticas antiguas a un nuevo medio para que el catálogo siga representando un papel importante entre el gran número de recursos de información a los que tenemos acceso.

Respecto a las RDA debemos señalar que van a producir un cambio muy significativo en la forma de trabajo del catalogador, la nueva estructura basada en las FRBR y FRAD obliga a cambiar las dinámicas tradicionales de trabajo. Conduce a incorporar una nueva terminología y forma de pensar al momento de catalogar. Con respecto a la creación de los registros bibliográficos, si se sigue utilizando el formato MARC21, los cambios que se introducen son mínimos. Ahora, la gran incertidumbre se plantea en las nuevas modalidades de implementación, que podrán adquirir éstos a partir de los desarrollos que surjan con la utilización de las herramientas de la web semántica, pero que, en todo caso, es todavía muy pronto para concluir al respecto. 

Por otro lado, parecería que las RDA no responden de forma adecuada al planteamiento de simplificar la catalogación, los resultados a priori que arroja esta investigación hacen presumir que deberán ser utilizadas por catalogadores con mucha experiencia, alejándose cada vez más de otras comunidades que podrían interesarse en su aplicación, como son los editores, archivos, museos, y así poder ampliar el universo de cooperación.

Después del estudio realizado, nos preguntamos si el modelo vigente de la catalogación, que propone dar respuesta desde un único código al variado universo bibliográfico es el adecuado. O si tal vez, la variedad de recursos y sus características intrínsecas requieren varias herramientas que contemplen de forma específica el tratamiento de cada uno de ellos, dando respuestas más sencillas y flexibles. Y que, por último, que sean las tecnologías las que desarrollen mecanismos que permitan subsanar lo que los estándares de descripción no pueden hacer. En esta línea orientaremos nuestra investigación, para aportar en esta necesaria discusión que debemos abordar en la comunidad de catalogadores.

Por último, no podemos concluir sin hacer referencia a los desafíos tecnológicos que implica adoptar el nuevo código. Como ya lo mencionamos, las RDA son independientes de las normas de almacenamiento y presentación de datos, brindándoles a las instituciones la posibilidad que adopten los mecanismos que sean más adecuados a sus necesidades. Pero esta libertad es bastante limitada por dos razones; la primera es la disposición real de tecnologías que sean coherentes con el planteamiento del código, mencionamos como ejemplo que se definen elementos básicos para describir cualquier recurso, y por lo tanto, en algún lugar, se deben registrar: la incorporación de los campos 336, 337 y 338 son solo una muestra.

La segunda limitación tiene que ver con la compatibilidad de los registros que se generen en modelos nuevos, es decir, tiene que ser un instrumento que permita intercambiar la información con las demás bibliotecas, especialmente en un momento de transición, en donde cada institución lo hará a su ritmo, según sus posibilidades y «creencias», lo que provocará que convivan simultáneamente registros generados a partir de las AACR con los nuevos según las RDA.

Delsey (2009) definió los tres posibles escenarios de implementación; el segundo y el tercero corresponden a los catálogos disponibles en la actualidad, pero el primero es toda una incertidumbre. El gran desafío que tenemos por delante es interesar a la comunidad informática en que se involucre en proyectos de desarrollo de software con las características definidas en ese nuevo escenario.”